Certa vez, li numa crónica o seguinte: As mulheres preferem o estigma da traição, ao estigma da solidão. No entanto, eu refaria a frase e modificá-la-ia da seguinte forma: As mulheres preferem o estigma da traição, ao estigma da perda. Estas duas frases abrangem dois tipos de mulheres: as que não gostam de estar sós e as que não gostam de perder o que alguma vez já possuíram. Embora aparentemente queiram quase dizer o mesmo, na verdade não o dizem! E para as pessoas que vivem de pormenores, a diferença é abismal.
O primeiro grupo de mulheres não tolera a solidão. Simplesmente tem medo, terror de se ver só. São mulheres frágeis e dependentes afectivamente. Mulheres que não aguentam colocar a chave na porta sem terem um nome que invocar, uma presença a aguardá-las. E, por isso, embora absurdo, não me espanta que sejam mulheres que tolerem a traição, pois vêem a solidão como algo que as devora.
Ao segundo grupo de mulheres pertencem aquelas que não gostam de perder o que têm. Não gostam de ser roubadas, nem abandonadas. Não são possessivas, não, nada disso. Somente leais. São mulheres que reconhecem o valor único das pessoas que entram nas suas vidas. Não entendem o carácter efémero que os mais despreocupados e inconsequentes tendem a atribuir ao que para elas é naturalmente duradouro.
Não poderia deixar de referir ainda que há mulheres, talvez um terceiro grupo, que preferem o estigma da solidão aos estigmas da perda ou da traição. Estas mulheres são as mais problemáticas, porque se tornam mulheres amargas, solitárias e orgulhosas. São mulheres suficientemente fortes (demasiado fortes) para tolerarem a árida solidão e suficientemente sensíveis (demasiado sensíveis) para não conseguirem suportar uma tentativa. Vivem de realidades escancaradas ou ficções aprisionadas.
Conheço mulheres dos três grupos e todas acabam por ter um denominador comum, a doce e sedutora feminilidade.