Saturday, 28 November 2009

Sobre a Máquina que vende livros como "snacks"

Querido Principezinho,

Vou contar-te a última. Aqui, neste planeta, agora vendem-se livros como se vendem snacks! Imagina. Para não pensares que sou injusta, ao tomar consciência do que vi, tentei ser compassiva para com ELES. Bem, se os snacks servem para saciar a fome do nosso corpo, terão pensado ELES que os livros saciam a fome da nossa alma ?! Bahhh. A cada nova ideia que têm, mais esfomeados de espírito nos deixam, pois activam um ininterrupto feedback positivo.

Os livros não são barritas de cereais, não são uma garrafa de água de emergência ou umas bolachinhas digestivas. Bolas, os livros são Arte! Os livros são humanos, tão humanos quanto os seus criadores. Não pessoas, mas são partes de pessoas.

É colocar umas quantas moedinhas na ranhura, seleccionar qual o livro que desejo e é vê-lo cair, dar tombos como a garrafa de água, depois é tirá-lo com a mão e vir embora satisfeita com a minha compra leviana. Porventura para a maioria dos meus compatriotas é algo natural à evolução dos tempos (e todos descansam a consciência sobre esta almofada) e tudo o que estou para aqui a escrever não passam de palavras resistentes à mudança! Mas, tal como te disse inicialmente, eu tentei compadecer-me. No entanto, como vês, não consegui. E, por isso, acho que o que te escrevo merece algum apreço.

Estou triste e preocupada. As pessoas estão a afastar-se cada vez mais umas das outras. Será que há alguém convencido que aquela besta da máquina consegue substituir todo o contexto de uma livraria ?!