Um rapaz e uma rapariga discutiam no meio da rua. Ela chorava e gritava. Ele olhava-a com todo o ódio que o desamar alguém pode fazer brotar … Independentemente de que natureza fossem, as diferenças estavam a afastá-los, a gelá-los segundo a segundo, um perante o outro.
Inesperadamente, no céu, começaram a voar peúgas, sapatos, calças, camisolas ... O rapaz e a rapariga ficaram nus, mas continuavam absortos naquela acérrima discussão. Discutiam cada vez mais e nem se aperceberam que haviam ficado sem roupa.
A zanga perdurava e não se importavam com o espectáculo que davam à vizinhança coscuvilheira. Não queriam saber! Assim do nada, ficaram sem pele e de ossos expostos. Odiavam-se cada vez mais. Amavam-se cada vez menos. O afastamento era claro, embora nunca estivessem estado tão próximos, tão parecidos um com o outro.
Foi, então, que apodreceram. A terra transformou-os em terra. Não havia como se insultarem mais. Com o silêncio, chegou o fim e, agora, mais do que parecidos, eram um só!
Senhores seres humanos, por que razão não sabem cuidar uns dos outros enquanto as vossas diferenças são as responsáveis pelo vosso encontro ?