Sunday, 3 August 2008

Sobre a alma inflamada

Há dias assim …

Há dias em que a alma não nos cabe no corpo. Evapora-se pelos poros da pele, porque não suporta ficar confinada às costuras das formas que a encerram. Nesses dias, está inflamada, ou seja, insatisfeita.

Ainda nesses mesmos dias, a alma expressa nitidamente os quatro sinais cardinais da inflamação: aquece, adquire cor, incha e dói. Ao final do dia, caso o processo inflamatório tenha progredido, o quinto sinal de inflamação torna-se evidente: perde a função. Aí, o corpo esvazia-se!

Tudo isto é cíclico. Aos momentos de equilíbrio basal (fisiológico, se assim quiserem) opõe-se instantes patológicos de agudização. A intrínseca periodicidade, faz-me recordar o gráfico da função trigonométrica seno: ora sobe, ora desce … ora sobe, ora desce. Muito embora, não tenha um contradomínio tão bem delimitado, visto que, às vezes, se aproxima intimamente do valor não real menos infinito.

A inflamação da alma encontra nos microrganismos dos afectos os seus principais agentes etiológicos. Cura ?! Não há panaceia. Contudo, há um anti-inflamatório que consegue mitigar a sintomatologia deste quadro: o sono. Dormir e esperar que amanhã seja um novo dia e, por isso, a possibilidade de um novo começo …