Wednesday, 9 July 2008

Sobre achados em cima da corda

As pessoas vivem no limbo. Caminham sobre aquela linha que separa a doença da doença. Sim, porque só sobre a linha se tem saúde, ou seja, se se tombar para um lado podemos cair no excesso de saúde, se se tombar para o outro, caímos na falta dela. Ambos os extremos são nocivos, um por não nos permitir reconhecer os nossos limites, outro por não nos permitir provar do que realmente somos capazes. A sabedoria popular, mais uma vez, consegue ser mestra: no meio é que está a virtude.

Descobri recentemente que mantermo-nos sobre essa linha é uma Arte. E eu que julgava ser uma aquisição inerente aos normais … Mas não, é mesmo uma Arte. À semelhança do equilibrista que faz o seu número sobre a corda, todos nós somos igualmente equilibristas e todos possuímos a nossa corda para completar o nosso número. E ressalvo que não estou a tomar a Vida como sinónimo de um circo no sentido depreciativo do termo.

Há momentos em que somos obrigados a dar saltos mortais e uma vez bem-sucedidos, a nossa assistência congratula-nos com fortes aplausos e o nosso ego engrandece. No entanto, tal como é deduzível, uns possuem mais equilíbrio do que outros. Eu, por exemplo, tenho de admitir que não tenho a melhor amostra de massa cerebelosa … Tropeço muitas vezes e caio outras tantas sem conta. Felizmente, sempre tive amparo, às vezes meu, outras vezes dos que me cercam. Francamente, não sei se a culpa maior é do cerebelo ou de um centro superior, o cérebro. Sou muito distraída e essa característica não está, de facto, ao encargo do cerebelo. Basta um ruído de fundo proveniente da assistência para eu me desequilibrar.

Descobri ainda que não importa o quanto gostas de te equilibrar, o importante mesmo é o que mostras durante a actuação. É justo, mas muito custoso para aqueles que nunca vão conseguir ser outra coisa senão aprendizes.

Querem um conselho ?! Um bom equilibrista só olha num sentido: para a frente.