Medicina é bom-senso! Concordo. Está em causa o bem do outro e aí não podes ou, pelo menos, não deves vacilar.
Mas, e a tua Vida também tem deve ser, invariavelmente, sinónimo de bom-senso? A forma como tu vais vivendo também deve primar por seguir os rectos e rígidos roteiros da sensatez? Qual o preço que pagas se nunca tiveres experimentado dar um passo em frente sem pensar duas vezes?
É o medo que te cala o coração.
Ninguém faz a mais a pequena ideia de como o medo é poderoso. Estou a lembrar-me das Aventuras de João Sem Medo que mal saiu da aldeia Chora-que-logo-bebes, acabou por descobrir o medo. O medo está atrelado à sensatez.
Quando és pequenino, tu simplesmente desconheces. Não pensas que se puxares a toalha da mesa os copos e os pratos se vão quebrar e, pior do que isso, que te podes magoar nos vidros pontiagudos; socorrem-te teus Pais movidos pelo receio de que te tenhas aleijado. E tu nada percebeste. Continuas indiferente ou dobras o riso por causa das suas caras agoniadas!
Depois vais crescendo e as mazelas das tuas experiências no quotidiano vão imprimindo em ti amargas recordações. E pior do que as sequelas fruto do contacto humano-mundo físico, são mesmo as sequelas humano-humano. Essas valem por muitos copos e pratos transformados em vidrinhos. Porque na toalha tu nunca havias confiado, mas no outro, desde o primeiro dia, tu já confiavas … E são estes vidrinhos humanos que nos fazem procurar pelo grande livro da Prudência. Tornas-te numa entidade que arrisco designar adulto-medo. Cresceste!, dizem os que te vêem. Chegando ao cume, lembras-te a meio caminho que começaste a envelhecer … E depois sem dares conta o teu bom-senso fica anémico. Sucumbes.
Nunca vou conseguir compreender qual é a lógica de ter de transfigurar este planeta que não é senão a nossa casa, onde estou eu e tu e tu e tu, simplesmente porque nos obrigam a viver envoltos num medo constante. Às vezes, senão a mais delas, o medo é um obstáculo para aqueles que querem arriscar e voltar a confiar no outro. No entanto, há sempre aqueles que têm latente a alegria de viver e, por isso, voam dentro da sua cabeça na tentativa frustrada de pensar que são muito corajosos! Aldemenos, boam em algum sítio …