Monday, 14 April 2008

Sobre porque é que me tornei vegetariano

Tornar-me vegetariano foi a decisão mais óbvia da minha vida.

Como poderia eu ser tão canalha ao ponto de ser cúmplice das maiores barbáries cometidas aos animais em nome de meros fetiches e caprichos alimentares? Como poderia eu ser tão insensível ao ponto de ignorar os sentimentos destes animais, o seu sofrimento e a sua vida enclausurada em espaços exíguos? Como poderia eu ser tão ignorante ao ponto de desconhecer que a inteligência e dor dos peixes é bem real?

Como poderia eu ser tão indiferente ao ponto de ignorar que um ser humano morre à fome a cada 2,5 segundos e que mais de 800 milhões de pessoas estão subnutridas?

Como poderia eu ser tão irresponsável ao ponto de ignorar que é necessário 14 vezes mais água, 10 vezes mais energia e mais do que 20 vezes mais terra para uma dieta com base em produtos de origem animal do que para uma dieta vegana?

Como poderia eu ser tão sádico ao ponto de ignorar que se criam anualmente 50 biliões de animais para abate em todo o mundo e quase 40% da produção mundial de cereais é usada para a engorda desses animais?

Como poderia eu ser tão cobarde deixando ou obrigando que outros matassem por mim, para satisfazer a minha própria gula?

Como poderia eu respeitar-me tão pouco ao ponto de deixar o meu corpo tornar-se um cemitério crescente de animais e peixes?

Como poderia eu aspirar a procurar ser sempre melhor perante tal violência?

Como poderia eu libertar-me da culpa, do despertar da minha consciência de tudo isto?

Como poderia eu ser tão mesquinho? Como poderia eu ignorar os meus valores, não raras vezes o único suporte da minha vida?

Como poderia eu trair a criança que eu fui e que sonho voltar a ser? Como poderia eu continuar a acreditar em mim mesmo?