À questão: Qual o teu maior sonho?, eu exibia uma lista de tamanho considerável. Ainda não estão assim tão longínquos os inúmeros compromissos que eu estabelecia com as palavras faladas. Na verdade quase me sentia impelida a cumpri-los com um rigor que hoje vislumbro com admiração sobre a minha precoce tenacidade.
Como a minha reacção era tão apoderada de paixão, não tenham a menor dúvida de que era invadida por uma vontade sedente de dirigir a questão aos demais. A maioria das respostas que ouvia era invariavelmente simples (e quão sucinta!): O meu maior sonho é ser feliz! Esta resposta era mais frequentemente emitida pelos indivíduos do género oposto. Nunca percebi a predilecção deles. Naquela altura aquela resposta afligia-me de tão nua que era. Levei, pelo menos, quatro anos, até agora conseguir satisfazer-me ante aquele sonho tão cobiçado.
Nesta linha, reestruturei o meu significado para a felicidade. A felicidade não existe apenas nos momentos de maior alegria, a felicidade existe também naqueles de maior tristeza. Ser feliz resume-se ao essencial, saber viver o estado de espírito do momento, seja ele de que qualidade for. Ser feliz é ser-se alegre quando sentimos vontade de o ser e ser feliz é, também, ser-se triste quando sentimos vontade de o ser. Esta harmonia é básica para o nosso bem-estar interior. Deste modo, na minha perspectiva, a felicidade encontra-se aí, na congruência.
Com este novo significado eu reformulo a minha resposta à pergunta de encetadura:
Sim, o meu maior sonho também é ser feliz.