Friday, 28 December 2007

Sobre a pedra filosofal

Será assim tão disparatada a ideia da eternidade? Se o for, o sofrimento por perda causado pela mortalidade também o é. Os extremos tocam-se.

Consigo idear três tipos de imortalidade: (1) a imortalidade altruísta; (2) a imortalidade poética e; (3) a imortalidade egoísta.

A imortalidade altruísta é universal à maioria dos seres vivos eucariotas. É a imortalidade obtida através da reprodução. É uma imortalidade cumulativa no tempo. Curioso como a selecção natural preconizada por Darwin começa a actuar, de modo incisivo, no momento em que o ser vivo deixa de estar no período fértil. A partir desse marco, a Natureza não se envergonha de te chamar estorvo ao seu ciclo natural.

A imortalidade poética, por seu turno, detém um carácter mais humano. Foi desmascarada pelos artistas, mas é transversal a qualquer Homem. É inerente ao acto de socialização, da interacção humana. É a imortalidade da memória.

A imortalidade egoísta é, de resto, aquela sobre a qual gostava de reflectir nesta rubrica.
Por que não podemos ser imortais tão-somente? Dizem que a dor de existir seria tão grande que não a conseguiríamos comportar. Seria a nossa ruína. Seria a desmistificação do significado que demos à nossa efémera existência. Seria a apoteose do eterno retorno de Nietzsche! Que o fosse! Que deixássemos de existir por colapso. Mas, não deveríamos desaparecer assim, num silêncio tão discreto. Da nossa morte deveria brotar mais ruído!

Talvez neste ponto eu não duvide da Ciência: nós, seres humanos, somos fruto de um erro da Natureza. Há uma incongruência de formas. A nossa limitação é a palmilha da nossa existência. Basta saber até quando … Nos meus acessos de fúria, descalço a palmilha. Então, abro a palma de uma das minhas mãos na esperança vã de ver o M lá fadado a perder toda a sua forma rebuscada e simplificar-se num I