Friday, 4 January 2008

Sobre a justiça

Por detrás de cada espírito justiceiro, encontra-se na verdade um espírito vingativo.
Sempre que alguém proclamar “Eu quero fazer justiça”, leia-se sem subterfúgios “Eu quero vingar-me!”

Todo e qualquer acto de “justiça” realizado pelo Homem até hoje foi na mesma medida um acto de vingança. Chamar-lhe “justiça” serviu única e exclusivamente para acalmar a sua própria consciência, o seu ego já de si martirizado pela própria injustiça.

Pois a justiça é inalcançável: a Justiça é, na verdade, a ausência de injustiça. Ninguém consegue rebater uma injustiça, porque ela é passado. Daí a necessidade de nos vingarmos, isso sim podemos sempre ainda fazer.

Mesmo assim, associamos a “justiça” ao bem e a vingança ao mal. Mas uma e outra são idênticas: “justiça” implica vingança na mesma medida que vingança implica querer fazer “justiça”. Todo e qualquer acto de vingança nasce da vontade de fazer “justiça” do injustiçado segundo o seu próprio conceito de injustiça (porventura diferente do alvo da sua vingança).

A história da Humanidade é fértil nas formas de concretizar os maiores actos de vingança cruel: fogueira, crucificação, apedrejamento, guilhotina, escravidão, fuzilamento, cadeira eléctrica, prisão perpétua, etc.….. Até encabeçados pelo próprio Estado, representante de uma consciência colectiva.

De facto, somos bárbaros! Conhecem a “justiça”? É a colecção dos vossos demónios.

Mas não se assustem, a “justiça” está para além do bem e do mal.