Friday, 1 June 2007

Sobre o reconhecimento e a fama

Não haveria melhor forma de começar este tema, senão citando uma das máximas do Confúcio: “Não receies ser desconhecido dos homens, mas sim que tu próprio não os conheças”.

Infelizmente, tal modo está o nosso mundo abarrotado de pavões que esperam alcançar a fama fácil. Sem porventura terem alguma ideia da razão pela qual se tornaram famosos e reconhecidos, nem para que servirá a sua mesquinha fama e seu estúpido reconhecimento.

Mas não é a esses que dirijo este tema. Pois não é em torno desses que gira o mundo; que gira o mundo invisivelmente!

Quantos Homens de bem já não terão caído por terra por não conformarem-se com a máxima de Confúcio e se sufocarem na sua inveja do reconhecimento alheio. Do reconhecimento mesquinho, entenda-se. Pois esse reconhecimento nada tem que ser invejado. Pena tenho eu que eles não tivessem aprendido em devido tempo o valor da discrição. Quão melhor é ser-se discreto, sem moscas da praça pública a zumbirem-nos ao ouvido e macacos a baterem palmas por imitação. A isso chamo eu de pragas e de macacadas.

Querem reconhecimento? Há porventura reconhecimento melhor que a vossa própria realização pessoal e o silêncio que se gira em torno dela? Seja o silêncio o sinal de veneração por vós, vós que criais para além de vós mesmos e transfigurais todos os valores.

Aos homens de bem, eis a minha máxima: Se vós caminhardes na direcção do barulho, por certo iríeis no mau caminho. Se por certo iríeis no bom caminho e atrás de vós perseguirde-vos o barulho, desconfiai e andai mais depressa. Com o mata-moscas, de preferência.

A verdadeira inquietação e mau-estar de um homem de bem deve ser, quanto a mim, chegar ao final da sua vida sem ter criado o que quer que seja e sem se superar a si mesmo, nem sequer ter ajudado os outros a fazê-lo. Essa, sim, deve ser a vossa inquietação e esse o vosso tormento de meia-noite.