A liberdade de expressão é uma das maiores conquistas da civilização moderna e, porém, tão controversa. Controvérsia acerca de até onde é moralmente aceitável exprimirmo-nos livremente e se de facto temos liberdade de opinião. Controvérsia também acerca de emitirmos juízos de valor sobre os outros.
Eu confesso que este tema me cria enormes dúvidas. Eu próprio tive bastantes dúvidas na criação deste blog se haveria ou não de permitir todo e qualquer tipo de comentários.
Eu confesso que este tema me cria enormes dúvidas. Eu próprio tive bastantes dúvidas na criação deste blog se haveria ou não de permitir todo e qualquer tipo de comentários.
A minha lógica foi a seguinte: há liberdade de opinião até extravasar para a liberdade de opinião do outro, seja por insulto, intimidação ou qualquer outro tipo de constrangimento. Há absoluta liberdade de opinião, contanto que a integridade do outro esteja salvaguardada. Daí a lógica da primeira regra que tem o objectivo de incentivar o combate de ideias e não o combate entre comentadores. Penso de forma análoga para as situações do dia-a-dia.
Mas não sou adepto daquela tese que diz que não devemos julgar os outros, pois todos temos telhados de vidro. De facto, devemos julgar os outros pelas suas acções e tomar decisões consoantes as mesmas. E devemos julgar os nossos amigos antes até do que quaisquer outros. Aos nossos amigos devemos o valor da crítica para motivos de superação pessoal. E cabe a estes valorizá-la e tirar partido dela, não virando as costas de amuo só porque não são perfeitos aos nossos olhos.
No entanto, é óbvio que mentir não faz parte da liberdade de opinião, pois afecta negativamente o outro, extravasando a esfera pessoal do mentiroso. E que existem diferentes tipos de autoridade moral para se julgar os outros. Ainda assim, julgar os outros, na minha perspectiva, é um dever, ainda que a vergonha de um homem de bem seja ver as suas palavras muitas vez excederem as suas próprias acções.