Thursday, 24 May 2007

Sobre a eutanásia

Apoio incondicionalmente quer a eutanásia passiva quer a activa. Discordo por isso absolutamente da distanásia, que prolonga o que já não tem valor em ser prolongado.

Porquê?

Porque a vida não é de forma alguma um valor absoluto, nem me lembro de algum valor que o seja, tudo é circunstancial. Ao contrário da posição da Igreja evidentemente.

Porque temos o direito de morrer com dignidade com o mínimo de sofrimento. Sim, morrer com dignidade, bem diferente das mortes nos campos de batalha, salvo raríssimas excepções (de que falarei no tema sobre a guerra); essas apelido-as de mortes estúpidas para gente estúpida, que não tem consciência da sua própria estupidez de viver e morrer estupidamente.

Mas se a batalha já está perdida, para quê ainda nos auto-infligirmos sofrimento, só porque outrem resolve pôr o bedelho na nossa vontade de viver, que apenas a nós nos diz respeito, obrigando-nos a esvairmo-nos em sangue?? Isso sim é a morte indigna de um guerreiro, é o desrespeito pela sua condição de vencido.

Claro que a batalha da vida tem sempre um fim, estamos destinados a ser vencidos um dia, às vezes até sem nos apercebermos da nossa própria condição de vencido. Mas não estamos destinados a ser humilhados nessa condição de vencido quando temos percepção dela mesma, pois toda a vida lutámos em honra da vida.

A honra do guerreiro está assim, na condição de vencido, em ter o direito a uma morte justa, a uma morte de um guerreiro de bem. E se isso significa antecipar a hora da morte, seja ela bem-vinda.