Eu e a compreensão sempre tivemos uma relação enigmática. O nosso primeiro encontro foi numa missa há já algum tempo. Nesse Domingo, todos os presentes receberam um papelinho rectangular que destacava um objectivo para a semana que iria dar início. No meu papelinho dizia algo semelhante: “Esta semana deves procurar a COMPREENSÃO”. Penso que a minha mania de guardar cada recordação de cada lugar e momento se responsabilizou por o preservar nas mil e uma caixinhas do sótão.
O segundo momento em que enfrentei a compreensão cara à cara foi numa aula de Português. A minha Professora de Português disse grosso modo que etimologicamente compreender alguém é caber dentro dessa mesma pessoa. Caber dentro dessa pessoa?! Somos todos tamanhos únicos! Foi aí que eu me apercebi da prepotência imatura que se resvala nas teorias que pretendem entender o pensamento humano.
A meu ver, o acto da compreensão assemelha-se ao que o Peter Pan fazia na terra do Nunca com as sombras. Se bem me recordo, o Peter Pan não tinha sombra. Para a ter, propôs-se a coser uma. Suponho que de alguma forma é isso que se passa no acto da compreensão: tentas coser uma sombra para a pessoa que ouves. Há pessoas demasiado transparentes. É fácil arranjar um molde da sua sombra. Por outro lado, há pessoas demasiado intrincadas. E para essas muitas vezes é um desafio à Imaginação arranjar agulhas que teçam um mundo tão espinhoso.
Ao fim e ao cabo, mentimos quando dizemos ao outro: “Compreendo-te!”.
Na terra do Nunca essa mentira é uma verdade; no nosso mundo essa mentira é somente mais uma mentira … Mas o mais saudável é mesmo não pensar muito nisso.
O segundo momento em que enfrentei a compreensão cara à cara foi numa aula de Português. A minha Professora de Português disse grosso modo que etimologicamente compreender alguém é caber dentro dessa mesma pessoa. Caber dentro dessa pessoa?! Somos todos tamanhos únicos! Foi aí que eu me apercebi da prepotência imatura que se resvala nas teorias que pretendem entender o pensamento humano.
A meu ver, o acto da compreensão assemelha-se ao que o Peter Pan fazia na terra do Nunca com as sombras. Se bem me recordo, o Peter Pan não tinha sombra. Para a ter, propôs-se a coser uma. Suponho que de alguma forma é isso que se passa no acto da compreensão: tentas coser uma sombra para a pessoa que ouves. Há pessoas demasiado transparentes. É fácil arranjar um molde da sua sombra. Por outro lado, há pessoas demasiado intrincadas. E para essas muitas vezes é um desafio à Imaginação arranjar agulhas que teçam um mundo tão espinhoso.
Ao fim e ao cabo, mentimos quando dizemos ao outro: “Compreendo-te!”.
Na terra do Nunca essa mentira é uma verdade; no nosso mundo essa mentira é somente mais uma mentira … Mas o mais saudável é mesmo não pensar muito nisso.