Eis um conceito que não consigo interiorizar, a não ser que crie raízes em nós mesmos. Sim, tenho uma inabalável fé no ser humano e naquilo que podemos ser. Já fé em fantasmas e além-mundos parece-me absurdo, uma infantilidade. Desviarmos a fé do nosso próprio eu e do nosso destino colectivo é já por si um sinal de fraqueza, uma forma de desviarmos o olhar para o lado, escondermo-nos do espelho para não ver o que somos e depararmo-nos com o facto de estarmos tremendamente sós. Por isso, na minha opinião a fé não deixa de ser um conceito intrinsecamente ligado ao da esperança, apenas talvez num grau maior, no grau maior.
Bem sei que a fé é um conceito que serve sobretudo interesses teológicos e se consubstancia na fé em Deus. Ainda não é este o tema sobre Deus, mas este tipo de fé é o mesmo que querer arranjar um álibi ou um bode expiatório para a nossa ignorância individual e colectiva. Sejamos duros e fortes e, por consequência, advogados de acusação de nós mesmos. Não caiam no erro de ficar nas mãos de outrem, de ter fé em outrem, que ninguém alguma vez viu ou conheceu... A menos que mo provem, está claro…