Olho-te fixamente. Quero um pouco de toda a tua liberdade … São centenas de dias aqui preso entre esta cama e este cadeirão. Invejo-te, perdoa-me, mas não consigo não o sentir.
Aperto este maldito interruptor, mas quê!, perdi a minha credibilidade perante o mundo. Chegam-me impacientes e falam-me como se eu já lhes tivesse pedido alguma coisa. Eles sabem o que preciso antes de mim mesmo. O pingo de humanidade ainda os lembrou de me colocar perto de uma janela, com vista para o largo. De uma janela através da qual poucas vezes olho, pois prefiro desviar a minha atenção para a entrada do meu quarto. Não tenho visitas. Fico mais ansioso pela entrada de alguém por aquela porta do que pelo pássaro que poisa no beiral da minha janela. Porque o pássaro não me pode salvar. Mas quem entra por aquela porta, é igual a mim, e um dia irá entrar e dizer-me, Vai!
E se calhar ando a enganar-me.
Se calhar deveria abrir a janela e colocar-me no dorso do passarinho e simplesmente deixar-me levar ?! Afinal, que mais tenho a perder ?!
D, 34-7.